3 de jun. de 2016

O doce sabor do beijo de um poeta amargo

Ela uma vez citou uma frase de um dos seus livros ao qual ela se entregava todos os dias de chuva e em noites silenciosas, disse: "Meu bem, o amor é doce demais para um poeta amargo como você." eu ri, calei aquela boca doce com um beijo, e disse: "Meu bem, sem você eu sou apenas poesia triste em papel rabiscado, meus dias são amargo sem você ao lado, tua doçura ameniza minha loucura, o teu peito onde me abriga com cuidado e amor, eu o chamo de lar. E o que seria de mim sem o teu modo de amar?". Lembro-me como se fosse o agora, mas naquele instante meu coração por ela acelerou, distribuindo aquela sensação de "Eu te amo" ao corpo inteiro, o arrepio que subia a espinha dorsal até a nuca, causando choques eletro-estáticos em meus pelos do corpo. Um abraço quente, um beijo doce, ela ali transbordou e eu igualmente. Eu posso até nunca ter dito um "Eu te amo" mas eu sinceramente sabia o que falar.

30 de mai. de 2016

Notas no papel

Nos dias cinzentos aproveito a solidão
Nem perco tempo revirando as gavetas
Onde guardo lembranças dos tempos que jamais voltarão.

Escrevo versos, ouço música e toco um violão
Faço um som para o meu próprio conforto
Altero harmonias e melodias para formar uma bela canção.

No caderno, as letras tão bagunçadas quanto o meu quarto
Que de tão desorganizado, decorei onde as coisas estavam
O coração bagunçado é detalhe, bate por obrigação.

Mergulho em um sono profundo, onde me vejo como reflexo
Por acaso será o mesmo eu através do espelho? eu nego.

Quem sabe um dia toda essa bagunça vire poesia
Quem sabe toda harmonia e dissonantes reverberem nessa vida
Onde o que escrevo são apenas letras bagunçadas em papel
E o verdadeiro eu ainda não acordou para cumprir o seu papel.

18 de jan. de 2016

Tempestuoso Seminário Erudito - Ar Calmo

Quem sabe dessa vez foi o contrário;
Turbulenta tempestade antes do ar calmo.
O poeta somado ao caos, desesperado,
Remoendo injuriado o seu passado,
Que subjugam o pretérito, nada perfeito,
Em relação ao sujeito,
Que tomado pelo tornado,
Anela em desespero por um abrigo seguro.
Seu passado não foi mortificado;
Suas concepções foram erradicadas,
Por seres que de carne igual e sangram,
Dilaceraram sua alma à navalhas,
Afligindo o seu ego à palavras,
Que destroem tanto quanto o tornado,
Que extirpa a carne, moendo os músculos
E dá nó as entranhas, lâmina de dois gumes.
O poeta vazio de si e de todos não reclama;
Descobriu a beleza dos seus versos de drama.
Moveu-se ao mundo como quem realmente ama.
Chegou ao cúmulo epicentro;
Escapou estupefato, surpreso.
Por amor a Isabel...
Contemplou novamente o céu
E nova vida o encheu de mel
O que antes era o fel.
Da carne, a navalha não mais lhe sangra,
E sua nova aura, coberta de luz, reluz,
E seus antigos dias, morreram naquele dia.
E foi quando o poeta se amou.

Fernando Said.

Androide desconcertado

Quantas vezes tenho que te falar
Que sou um robô, mas que sei amar
Com meus defeitos de programação
Fui criado sem coração...


11 de jan. de 2016

Obscuro mundo anil

Na morte nos abraçamos,
Imaginamos ser humano.
Percas e glórias,
Mensuramos ser eternos.
Nos trechos de glória
A Aurora eterna,
O universo é esplêndido,
Girando em torno do eixo.


Eterno, acolhedor, caótico,
Na sua opacidade, 
Esplêndida, gira em rotas,
Formando o todo perfeito.


No abraço apertado,
Transbordamos sentimentos.
A saudade aumenta só de lembrar,
Aquele sorriso a irradiar.


Uma só vida,
Uma só morte.
Milhões de segredos,
Sobre vida e morte.


Das memórias da vida,
Sentimentos bons
Ficam na saudade da memória.
Enquanto nos abraçamos ...


Somamos o caos
Dentro de nós.
O medo da morte,
Ao sair sem se despedir...


E nunca mais voltar pra casa,
Nunca mais ver teus amigos,
Não poder abraçar a quem se ama
E não compartilhar bons momentos...


Ao partir em direção ao desconhecido
Leva-me contigo em um pedaço
Que em mim ficou como saudade.


E quando me encontrares 
No vazio do universo, 
Conta-me de antemão
O que o infinito reservou 
Para o obscuro mundo anil.

Em memória de Noêmia Lima Mangabeira.

O diário noturno 2

Nos dias de frio restou-me a solidão,
A epiderme arrepia ao lembrar,
Que calor eu tinha no coração.

Aquela melodia triste e harmônica
Ainda soa eruditamente,
Em um silêncio noturno,
Onde os bichos me acompanham
E o cigarro amarga a entranha.


Minha sobriedade volta aos poucos,
Percebo que estou incompleto, louco,
Apenas afogando minhas dores em pranto
Em mais dose de remorso insano.


Crucifica-me como à Cristo,
Mas perdoa os meus pecados;
Que sem ser premeditado
Foram por mim consolidados.


Meu peito afligindo por mágoas,
Agora sangra injuriado;
Por danos causados por um menino,
Que não mediu a consequência dos seus pecados.



6 de ago. de 2015

Quem vai ler os livros que eu não escrevi?


Acaso queira saber mais coisas sobre mim, basta procurar-me nos livros que até eu mesmo esqueci de escreve-los; Escrevi e os deletei para não expor meus defeitos em relação à falta que te fiz; De todas as poesias e todos os manuscritos escritos por mim, tua falta me partiu o peito; Feriu meu peito com a tua partida e agora não gosto de despedidas. Vivo peregrino; Declarei por ti meu amor todas as vezes que pude em vida e pessoalmente; Morri todas as vezes que me disse adeus e saiu pela porta do meu coração e disse que nunca mais iria voltar.

Filmes que vivi e não foram expostos em cartaz

 Alguns sonhos são como filmes fora de contexto, observo inerte aos detalhes, me vejo por dentro e por fora, alguns lugares eu reconheço, sa...