7 de jun. de 2016

Contos sobre Caroline

A conheci de vestido, não lembro a cor, decorei seu sorriso tímido de final de festa, a surpresa foi um beijo embriagado, entre suspiros e falta de fôlego, me consumiu até a alma, me deixou alucinado, eufórico, desnorteado, claro, estava embriagado. Dali em diante a noite em que a conheci se repetia várias e várias vezes na minha cabeça, me tirando o sono, ecoando noite e madrugada a dentro, a sorte foi um número salvo na minha agenda, um contato salvo de Caroline na minha agenda telefônica me fez hesitar, mas não pude conter, começamos a conversar, se conhecer, parecia que em nada ia dar, mas errei mais uma vez. Meus sentido estavam todos bagunçados, eu não entendia exatamente o que era aquilo e aonde iria me levar, mas decidi me entregar, me joguei. Carol era uma menina doce que adorava o sabor do amargo, do tóxico cigarro e bebidas fortes como sua personalidade, gostávamos do perigo, de sair escondido, de experimentar o desconhecido. Mas exatamente como começou, sem explicação terminou, fiquei só na saudade.

3 de jun. de 2016

Até mais coração

Quando tu me vinhas de qualquer forma despida, nua, ou vestida, me vinha sempre o mesmo desejo em mente, te fazer minha, de mais ninguém. Mesmo com os olhos fechados em ti pensava, tomou meu coração e perturbou minha mente por vários dias. Noites sem dormir por pensar demais em várias noites que suportaria sem você aqui. Quando tudo virou realidade me vi em um sonho ao qual eu precisava acordar, que aquilo era por mim vaidade, te ter era demais pra mim, que por não saber o que falar, não soube me despedir, te deixei, fui embora com a promessa de nunca mais voltar. Meu coração realmente foi teu, foi tomado, eu o entreguei a você e foi bem cuidado, o erro foi meu, eu parti pra conhecer o mundo acordado, parti em direção aos sonhos ao qual eu nunca tive só, conheci pessoas as quais admiro e outras me inspiro, outras desprezíveis e rasas. Um dia eu volto, sem aviso prévio, pra tomar de volta o que é meu e te contar o que aprendi e poemas que escrevi. Volto pra me despedir com as palavras seguidas de "você sempre esteve comigo aqui" (mãos no peito, indicando o lugar do coração), volto pra te dizer que meu peito sempre foi o teu lugar.

O doce sabor do beijo de um poeta amargo

Ela uma vez citou uma frase de um dos seus livros ao qual ela se entregava todos os dias de chuva e em noites silenciosas, disse: "Meu bem, o amor é doce demais para um poeta amargo como você." eu ri, calei aquela boca doce com um beijo, e disse: "Meu bem, sem você eu sou apenas poesia triste em papel rabiscado, meus dias são amargo sem você ao lado, tua doçura ameniza minha loucura, o teu peito onde me abriga com cuidado e amor, eu o chamo de lar. E o que seria de mim sem o teu modo de amar?". Lembro-me como se fosse o agora, mas naquele instante meu coração por ela acelerou, distribuindo aquela sensação de "Eu te amo" ao corpo inteiro, o arrepio que subia a espinha dorsal até a nuca, causando choques eletro-estáticos em meus pelos do corpo. Um abraço quente, um beijo doce, ela ali transbordou e eu igualmente. Eu posso até nunca ter dito um "Eu te amo" mas eu sinceramente sabia o que falar.

30 de mai. de 2016

Notas no papel

Nos dias cinzentos aproveito a solidão
Nem perco tempo revirando as gavetas
Onde guardo lembranças dos tempos que jamais voltarão.

Escrevo versos, ouço música e toco um violão
Faço um som para o meu próprio conforto
Altero harmonias e melodias para formar uma bela canção.

No caderno, as letras tão bagunçadas quanto o meu quarto
Que de tão desorganizado, decorei onde as coisas estavam
O coração bagunçado é detalhe, bate por obrigação.

Mergulho em um sono profundo, onde me vejo como reflexo
Por acaso será o mesmo eu através do espelho? eu nego.

Quem sabe um dia toda essa bagunça vire poesia
Quem sabe toda harmonia e dissonantes reverberem nessa vida
Onde o que escrevo são apenas letras bagunçadas em papel
E o verdadeiro eu ainda não acordou para cumprir o seu papel.

18 de jan. de 2016

Tempestuoso Seminário Erudito - Ar Calmo

Quem sabe dessa vez foi o contrário;
Turbulenta tempestade antes do ar calmo.
O poeta somado ao caos, desesperado,
Remoendo injuriado o seu passado,
Que subjugam o pretérito, nada perfeito,
Em relação ao sujeito,
Que tomado pelo tornado,
Anela em desespero por um abrigo seguro.
Seu passado não foi mortificado;
Suas concepções foram erradicadas,
Por seres que de carne igual e sangram,
Dilaceraram sua alma à navalhas,
Afligindo o seu ego à palavras,
Que destroem tanto quanto o tornado,
Que extirpa a carne, moendo os músculos
E dá nó as entranhas, lâmina de dois gumes.
O poeta vazio de si e de todos não reclama;
Descobriu a beleza dos seus versos de drama.
Moveu-se ao mundo como quem realmente ama.
Chegou ao cúmulo epicentro;
Escapou estupefato, surpreso.
Por amor a Isabel...
Contemplou novamente o céu
E nova vida o encheu de mel
O que antes era o fel.
Da carne, a navalha não mais lhe sangra,
E sua nova aura, coberta de luz, reluz,
E seus antigos dias, morreram naquele dia.
E foi quando o poeta se amou.

Fernando Said.

Androide desconcertado

Quantas vezes tenho que te falar
Que sou um robô, mas que sei amar
Com meus defeitos de programação
Fui criado sem coração...


11 de jan. de 2016

Obscuro mundo anil

Na morte nos abraçamos,
Imaginamos ser humano.
Percas e glórias,
Mensuramos ser eternos.
Nos trechos de glória
A Aurora eterna,
O universo é esplêndido,
Girando em torno do eixo.


Eterno, acolhedor, caótico,
Na sua opacidade, 
Esplêndida, gira em rotas,
Formando o todo perfeito.


No abraço apertado,
Transbordamos sentimentos.
A saudade aumenta só de lembrar,
Aquele sorriso a irradiar.


Uma só vida,
Uma só morte.
Milhões de segredos,
Sobre vida e morte.


Das memórias da vida,
Sentimentos bons
Ficam na saudade da memória.
Enquanto nos abraçamos ...


Somamos o caos
Dentro de nós.
O medo da morte,
Ao sair sem se despedir...


E nunca mais voltar pra casa,
Nunca mais ver teus amigos,
Não poder abraçar a quem se ama
E não compartilhar bons momentos...


Ao partir em direção ao desconhecido
Leva-me contigo em um pedaço
Que em mim ficou como saudade.


E quando me encontrares 
No vazio do universo, 
Conta-me de antemão
O que o infinito reservou 
Para o obscuro mundo anil.

Em memória de Noêmia Lima Mangabeira.

Filmes que vivi e não foram expostos em cartaz

 Alguns sonhos são como filmes fora de contexto, observo inerte aos detalhes, me vejo por dentro e por fora, alguns lugares eu reconheço, sa...